Sinopse de “Pensar, Depressa e Devagar”
No livro, o autor fala sobre duas formas de pensar: a primeira, mais rápida, intuitiva e emocional; e a segunda, mais lenta, racional e lógica. O autor fala da nossa tendência de analisar as coisas da primeira forma, quando devemos estimular a forma mais analítica e racional de pensar para eliminarmos o nosso viés comportamental.
Esse livro é um marco muito importante no mercado financeiro, porque trouxe o conceito de finanças comportamentais ao grande público.
Quem foi/é Daniel Kahneman?
Daniel Kahneman é um ganhador do Prémio Nobel de Economia e psicólogo por formação. Ele ganhou o prémio por causa do trabalho na tomada de decisões, especificamente na Teoria da Perspetiva. É um dos grandes nomes que ajudou a popularizar os conceitos de finanças comportamentais.
Ou seja: ele tem uma alta autoridade para falar de finanças e psicologia de forma integrada. Não é qualquer um que consegue um prémio Nobel.
O, em tempos, professor de Psicologia e de Relações institucionais em Princeton e, autor de obras literárias como “Thinking, Fast and Slow”, faleceu a 27 de março de 2024.
Resumo de “Pensar, Depressa e Devagar”
O livro fala sobre como não somos seres 100% racionais, e como somos levados a tomar más decisões que afetam negativamente as nossas vidas. Ele mostra como as nossas irracionalidades prejudicam todos os aspetos das nossas vidas: financeiro, pessoal, profissional e outros.
Este livro fala sobre uma vida inteira de trabalho sobre o pensamento humano, destacando os nossos preconceitos e mostrando o brilho e as limitações da mente humana.
Kahneman escreve o livro como uma introdução à psicologia experimental para um leigo e resume alguns resultados das últimas décadas.
Assim, ele dá uma descrição do método científico aplicado nas ciências sociais, sobre a criação de hipóteses, sobre experimentação e sobre análise de dados. Dessa forma, ele mostra como a nossa compreensão do pensamento humano avançou.
Por fim, Kahneman mostra que os nossos cérebros são altamente evoluídos para realizar muitas tarefas com grande eficiência, mas muitas vezes são inadequados para realizar com precisão outras tarefas mentais.
Na verdade, o nosso pensamento está repleto de falácias comportamentais. Por isso, corremos o risco de sofrer manipulação por empurrões e pequenos incrementos. Um livro que mostra isso é o “Influência – A psicologia da persuasão”, disponível na Wook, p.e..
Sendo assim, as redes sociais, os governos, os media e os líderes populistas são capazes de exercer uma forma de controlo mental coletivo.
Quais são os 2 Sistemas descritos em “Pensar, Depressa e Devagar”?
Primeiramente, o Sistema 1 opera de forma automática e rápida, com pouco ou nenhum esforço e nenhum senso de controlo voluntário. Já o Sistema 2 atribui atenção às atividades mentais desafiantes que a exigem, incluindo cálculos complexos.
Assim, esses dois sistemas de alguma forma coexistem no cérebro humano e, juntos, ajudam-nos a “navegar” na vida; eles não são literais ou físicos, mas conceituais.
Primeiramente, o Sistema 1 é um sistema intuitivo que não pode ser desligado. Dessa forma, ele ajuda-nos a realizar a maioria das tarefas que a vida quotidiana exige, como identificar ameaças, voltar para casa em estradas familiares, saber que 2 + 2 = 4, reconhecer amigos e assim por diante…
Por outro lado, o Sistema 2 pode ajudar-nos a analisar problemas complexos, fazer exercícios de matemática, fazer palavras cruzadas e assim por diante… Embora o Sistema 2 seja útil, é preciso esforço e energia para ativá-lo. Então, ele tende a tomar atalhos a mando do Sistema 1.
Quais são as principais falácias descritas em “Pensar, Depressa e Devagar”?
1. Associações falsas
De fato: as nossas mentes são máquinas associativas maravilhosas, permitindo-nos associar facilmente palavras como “limão” a “amarelo”. Portanto, somos suscetíveis às associações.
2. Facilidade cognitiva
Tudo o que for mais fácil para o Sistema 2 é mais provável de ser acreditado. A facilidade surge da repetição de ideias, exibição clara, uma ideia preparada e até mesmo do próprio bom humor. Desta forma, mesmo a repetição de uma falsidade pode levar as pessoas a aceitá-la, apesar de saberem que não é verdade, pois o conceito torna-se familiar e fácil de processar.
3. Conclusões precipitadas
O nosso Sistema 1 é “uma máquina para tirar conclusões precipitadas”, baseando a sua conclusão em “O que você vê é tudo o que existe”. Desta forma, essa é a tendência do Sistema 1 de tirar conclusões com base nas informações prontamente disponíveis e acreditar fervorosamente nessas conclusões.
4. Simplificando perguntas
De facto: ao lidar com uma questão complexa ou difícil, transformamos a questão em outra mais fácil que podemos responder.
5. Lei dos Pequenos Números
Temos uma fé exagerada em pequenas amostras. A nossa tendência a procurar padrões leva-nos a uma explicação causal de eventos casuais que são errados.
6. Ancoragem
A ancoragem é uma forma de preparar a mente com uma expectativa.
Por exemplo, nas perguntas: “A altura da sequoia mais alta é maior ou menor que x pés? Qual é a sua melhor estimativa sobre a altura da sequoia mais alta?”. Quando x era 1200, as respostas à segunda pergunta eram 844. Quando x era 180, a resposta era 282.
7. Representatividade
O conceito de representatividade é onde usamos estereótipos para nos ajudarem a julgar as probabilidades.
Por exemplo, “você vê uma pessoa lendo The New York Times no metro. Qual das alternativas a seguir é uma aposta melhor sobre o estranho leitor? 1) Ela tem um doutoramento. 2) Ela não tem diploma universitário.”
Assim, a representatividade faz-nos escolher a segunda resposta, mesmo que a probabilidade de doutorados no metro seja muito menor do que a de pessoas sem diploma.
8. Menos é mais
Dada a descrição, “Linda tem 31 anos, é solteira e formou-se em filosofia”, qual alternativa é mais provável? “Linda é empregada” ou “Linda é uma empregada e é ativa no movimento feminista”?
Nesse caso, o detalhe de que Linda é “ativa no movimento feminista” na resposta 2 só impõe mais restrições. No entanto, por causa da narrativa, escolhemos a segunda opção, embora seja menos provável.
9. Regressão à média
A regressão à média é o facto estatístico de que qualquer sequência de tentativas acabará por convergir para o valor esperado (ou seja, a média).
10. Ilusão de compreensão
De facto: construímos narrativas para ajudar na compreensão e dar sentido ao mundo. Procuramos causalidade onde não existe.
11. Intuição do especialista
Além disso, algoritmos, mesmo os aparentemente primitivos, aplicados com disciplina muitas vezes superam os especialistas.
12. Falácia de planeamento
Esta falácia aflige muitas profissões e leva em conta apenas o planeamento ideal, e não os resultados reais de projetos semelhantes.
13. Otimismo
Por fim, a maioria das pessoas é excessivamente confiante, tende a negligenciar os concorrentes e acredita que eles terão um desempenho melhor do que a média.
Quais são os principais erros de finanças comportamentais segundo Kahneman?
1. Aversão à perda
Em segundo lugar, a aversão à perda permeia grande parte da vida, impedindo que pessoas tomem riscos que podem trazer benefícios.
2. A irracionalidade das pessoas
Além disso, o tratamento padrão dos atores na economia é assumir a racionalidade. No entanto, as pessoas não são totalmente racionais. Desta forma, eles têm uma propensão a valorizar a eliminação do risco em vez de reduzi-lo a um nível aceitável. Ou seja, as pessoas atribuem valor a ganhos e perdas (isto é, à mudança) e não à própria riqueza.
3. Uso de referências
De facto: a forma como um problema é enquadrado faz uma grande diferença nas perceções e soluções. Assim, uma apresentação do problema de forma diferente pode gerar respostas e resultados diferentes.
4. Considerar apenas factos recentes
As pessoas tendem a ter excesso de peso em experiências recentes. Portanto, um filme que começa ruim, mas tem um final agradável, provavelmente será lembrado favoravelmente. Por outro lado, a sequência oposta pode minar a experiência geral, mesmo se objetivamente as partes ruins não duraram mais em nenhum dos casos.
Pontos Negativos de “Pensar, Depressa e Devagar”
O livro pode não ser a leitura mais simples do mundo, pois pode apresentar alguns conceitos mais profundos. Você vai precisar preparar-se um pouco mais para leitura, que é bastante extensa (mais de 600 páginas, algo pouco comum em best-sellers).
No entanto, não é nada tão impossível: o livro foi feito para todos, então tenha atenção e você conseguirá entender.
Pontos Positivos de “Pensar, Depressa e Devagar”
Apesar de ter conceitos complexos, eles são mostrados de forma simples. Além disso, assim que o leitor ler as lições, ele conseguirá tomar decisões mais conscientes.
De facto: apesar de Kahneman ser especialista em finanças comportamentais, todas as áreas da sua vida se beneficiarão.
Vale a pena ler “Pensar, Depressa e Devagar”?
De facto, vale a pena ler esta obra! O livro de Kahneman é um resumo importante para o leitor geral dos avanços na psicologia comportamental nos últimos 40 anos. Assim, o livro mostra que as pessoas usam o seu conhecimento contextual e cultural para perceber as coisas.
Uma vez que analisar as declarações com muita precisão costuma ser considerado algo negativo, muitas pessoas acabam sendo vítimas de padrões comportamentais.
Se você quer comprar o livro, pode fazê-lo pela Wook, pela Bertrand ou pela Amazon.





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Kahneman ao combinar pesquisas académicas com exemplos práticos, torna conceitos complexos acessíveis. Adoro o livro e adorei igualmente este artigo, está muito bem elaborado.
Enquanto profissional formada em Economia, este livro teve em mim um impacto interdisciplinar e não duvido que será valorizado por qualquer pessoa que atue nas áreas da Economia, da Psicologia, da Administração, ou até da Medicina.
Embora os conceitos sejam esclarecedores, a leitura é longa e detalhista, o que poderá dificultar a aplicabilidade dos insights para situações quotidianas ou empresariais.
No entanto, tal como nos outros artigos foi conseguido transcrever o conteúdo do livro de uma forma (quase) perfeita. Bom trabalho uma vez mais.
Vale a pena ler?! Obviamente.
É uma leitura recomendada para quem deseja compreender os mecanismos da mente humana, melhorar a tomada de decisões e reconhecer as limitações do pensamento racional.