O investidor inteligente é um realista que vende para os otimistas e compra dos pessimistas.
Benjamin Graham
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No geral, acredita que a sua vida tem tendência a melhorar? Acha que o mundo se vai adaptar e regenerar, ou que a trajetória geral é descendente? E como é que essas perspetivas influenciam as suas escolhas e ações diariamente?
Os psicólogos classificam a maior parte da população mundial como otimista, sendo que alguns estudos apontam para 80% da população, enquanto os mais conservadores falam em 60% da população.
Estudos mostram correlações entre otimismo e o aumento da esperança média de vida, melhores condições de saúde, melhor saúde mental, melhor performance desportiva e profissional, maior capacidade de recuperação após cirurgias cardíacas e respostas mais adaptativas a adversidades.
AFINAL O QUE É ISSO DO OTIMISMO?
Umas das definições de otimismo que encontramos na literatura científica é a de Charles Carver e Michael Scheier, que cunharam o termo otimismo disposicional para se referirem à tendência geral para acreditar que o futuro está repleto de coisas boas e que potenciais acontecimentos negativos são ocorrências raras.
Já Martin Seligman, um dos pioneiros do campo da psicologia positiva, refere-se ao otimismo e ao pessimismo como o estilo adotado por uma pessoa para explicar os acontecimentos desafiantes da vida. No estilo otimista, a pessoa atribui a um evento “negativo” causas externas, infrequentes e específicas. Já quem atribui a estes eventos causas internas, frequentes ou estáveis e globais, parte de uma premissa pessimista.
SERÁ O PESSIMISMO MESMO PÉSSIMO?
Uma série de estudos implica que a má reputação do pessimismo pode não ser totalmente justa. Este argumento gira à volta de três ideias: a primeira que o pessimismo é um construto separado do otimismo e que, por isso, nem sempre os resultados são diametralmente opostos aos do otimismo; depois que, de acordo com alguns estudos, o pessimismo pode ser melhor a prever certos resultados do que o otimismo; e, por último, que em certas situações compensa ser pessimista.
Um desses estudos mostra que os empreendedores otimistas ganham, em média, menos 30% do que os pessimistas. Uma das explicações possíveis é que arriscam mais e também falham mais. No entanto, esse mesmo estudo, mostra que os colaboradores otimistas ganham mais que os pessimistas. No entanto, não há tantos estudos a demonstrar os efeitos nocivos de uma perspetiva positiva.
O pessimismo defensivo é o termo usado para descrever as pessoas que contemplam cenários menos positivos para precaver potenciais consequências.
E NAS FINANÇAS? O OTIMISMO AJUDA?
Um estudo de 2019, realizado por Michelle Gielan em parceria com o Banco Frost, indica que quando o tema é dinheiro, os otimistas têm melhores probabilidades de porem em prática boas decisões financeiras e de, assim, colherem os seus frutos. Entre uma amostra de 2000 pessoas, avaliou-se o otimismo, a saúde financeira e as atitudes e comportamentos em relação ao dinheiro através de vários escalas científicas.
Os resultados deixaram claro que ser otimista faz bem à carteira, ou seja, que esta perspetiva está correlacionada com hábitos financeiros mais saudáveis, como tal, com melhores resultados financeiros.
Verificou-se que 90% dos otimistas puseram dinheiro de parte para uma compra mais significativa, versus 70% dos pessimistas. Dois terços dos otimistas tinham um fundo de emergência em comparação com os pessimistas em que menos de metade deles possuíam essa almofada financeira. Além disso, era mais provável para os otimistas pedirem e seguirem os conselhos de pessoas de confiança. E por último, as pessoas otimistas passaram menos 145 dias do ano preocupados com as suas finanças comparativamente com as pessoas pessimistas.
É difícil falar em investimentos sem refletirmos sobre o exemplo de um dos investidores mais bem sucedidos de todos os tempos. Melinda Gates proferiu estas palavras para se referir a Warren Buffet: “não foi o sucesso que o tornou otimista, foi o seu otimismo que o tornou bem-sucedido”, e ainda acrescentou que o otimismo é uma tremenda mais-valia.
Heidi Grant Halvorson, psicóloga social e diretora associada do Motivation Science Center da conceituada universidade norte-americana Columbia, sublinha a importância da distinção entre otimistas realistas, como é o caso de Buffet, e otimistas irrealistas. Os otimistas realistas acreditam que as coisas vão correr bem graças ao seu esforço, dedicação, à capacidade de desenhar e implementar estratégias e planos de ação, e à perseverança para fazer face a obstáculos. Já os otimistas irrealistas acreditam que o sucesso é a recompensa natural do universo pela sua perspetiva positiva.
Realmente perigoso é o otimismo irrealista, a crença em sucesso fácil, que é esperar que as coisas corram bem sem fazer nada por isso…
O OTIMISMO NO MERCADO ACIONISTA?
No que diz respeito ao mercado acionista, há razões claras para optar pelo otimismo realista. Tony Robbins no seu livro “Unsheakable” (PT: “Inabalável”) compila 7 factos que nos ajudam a enfrentar o medo de uma queda de mercado desastrosa:
- Pequenas correções acontecem mais ou menos uma vez por ano e podem representar quedas até 20%. Em média, estes movimentos do mercado duram cerca de 54 dias, e representam uma perda de 13,5%.
- Menos de 20% destas correções traduzem-se em Bear Markets (Bear Market é a expressão usada quando os ativos se valorizam, há mais procura do que oferta e o mercado está otimista).
- Apesar destas flutuações e correções, o mercado acionista registou resultados positivos 27 em 36 anos, o que significa que em 75% do tempo o mercado gera lucros.
- Apesar das previsões de vários especialistas, ninguém consegue prever o que vai acontecer no mercado.
- O mercado sempre subiu apesar das ocasionais correções e perdas de curto prazo.
- Historicamente, quedas de mercado acentuadas ou Bear Markets acontecem de 3 em 3 ou 5 em 5 anos.
- Mas todos os Bear Markets deram lugar a Bull Markets (expressão usada quando se regista mais oferta do que procura, os ativos estão a desvalorizar e o mercado está desanimado e pessimista).
Todos nós situamo-nos em algum ponto ao longo do espetro do otimismo, e podemos ter perspetivas diferentes em diferentes áreas da vida.
Tal como nos mercados acionistas, que em 75% do tempo funcionam a favor dos investidores, parece que a crença que, maioritariamente, as coisas correm bem e que a atitude e comportamentos que adotamos, especialmente quando enfrentamos desafios são realmente determinantes, é uma escolha inteligente e adaptada à realidade.
Claro que ocasionalmente pode ser útil ponderar o pior cenário possível para tomarmos as devidas precauções, ou para fazermos o que estiver ao nosso alcance para que as coisas corram bem. Ainda assim, o mais importante é acreditarmos na nossa capacidade de enfrentarmos e ultrapassarmos qualquer tempestade. Mesmo que demore tempo, mesmo que seja difícil, mesmo que não se veja logo o caminho e as soluções, ou o retorno… Nas finanças como na vida, acreditar compensa!
Fontes: FrostBank | HealthPopuli | FinacialAdvisor | CNBC | TeamLeadershipCulture
