Estamos a tornar-nos viciados em consumo

A alertar algo de valor...

Temos que dominar os nossos impulsos ancestrais de sobrevivência que nos fazem consumir sem precisar.

Antonio Castro

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“Como assim, esses adolescentes ganham muito dinheiro fazendo dancinhas no TikTok, e eu que sou licenciado, mestrado ou doutorado, ainda preciso trabalhar 12 horas por dia pra manter esse emprego que mal paga as minhas contas???”

A internet vive uma nova pandemia. E não tem o coronavírus como causa, mas sim os novos “gurus”, que se espalham rápido e se multiplicam como um vírus.

Queres emagrecer? Há guru de nutrição, de fitness, de estilo de vida. Cada um com a sua metodologia I-N-F-A-L-I-V-E-L de 5 passos para secar a barriga comendo comidas saudáveis e deliciosas; Queres largar o emprego e virar empreendedor na internet? Há guru que ensina a “transformar o teu Instagram em uma máquina de vendas”, nunca mais vais precisar aguentar aquele chefe abusador; Queres fazer o teu dinheiro render mais? Tem uma montanha de “criaturas” dizendo-te como ganhar mais, usar bem o teu dinheiro e ainda fazê-lo render.

Jamais tivemos acesso a tantas frases no imperativo. O imperativo é um dos modos verbais de conjugação da língua portuguesa, assim como o modo indicativo e o modo subjuntivo. Ele é usado para expressar ações que se exigem do interlocutor, por meio de ordens, pedidos, sugestões ou conselhos.

Somos ensinados que alcançar o sucesso não só é para todos, mas que ele está ao teu alcance se fizeres exatamente o que o guru diz. Acorda as 5h da manhã, corre 10km por dia, bebe 5 litros de água, faz jejum, trabalha 15h por dia, aprende as 100 habilidades de sucesso. Está tudo na tua mentalidade!

Mas o que seria o sucesso? Ter um carro importado e viajar para as Maldivas? Se a economia de mercado dita os valores, o senso comum ensina-nos que “ter” torna-se mais importante do que “ser”. Ter coisas é bom? Sim, é ótimo! Aprender a ser uma pessoa melhor, a mudar de vida é bom? É ótimo!

A atual sociedade tem muito mais do que antes. Na verdade, nunca “tivemos” tantos bens-materiais. Ora, se temos tanto, qual a razão de vivermos uma epidemia de ansiedade?? Por que as crianças criadas em sociedades mais materialistas desenvolvem níveis mais elevados de ansiedade?? Por que vemos tantas pessoas insatisfeitas, ansiosas, compulsivas por comida, por compras, por redes sociais, por aparência??

Por que queremos tanto e, mesmo com muito, ainda não é suficiente?? Porque ser simples não vende. Ser simples não demanda consumo e não gera lucro. Se estás feliz e em paz com a tua aparência, a tua profissão, os teus valores, com a tua vida de forma geral, não precisas correr atrás de coisas para validar a tua autoestima. Não precisas mostrar-te importante para os outros.

A verdade é que essa corrida maluca por magreza, beleza, riqueza e falsa felicidade só funciona com quem vive uma ansiosa busca por importância, por aprovação social. A sociedade do imperativo não se importa com o que de facto és, com o que de facto sentes.

Esta sociedade já tem o remédio para o que precisas, mesmo sem saber o teu nome. E se não precisas de nada, não procuras nada, estás satisfeit@ com a tua vida, não passas de alguém apátic@, acomodad@, e, portanto, inferior.

Na próxima vez que fores “rolar o feed” em busca de algo que achas que te falta, lembra-te que a única resposta de que precisas está em ti. Sê fiel à tua essência. Procura autoconhecimento e desprende-te da necessidade de validares a tua autoestima com os outros. E tenta libertar-te de tanta gente dizendo-te o que deves fazer.

Na era digital, a informação bombardeia-nos de todos os ângulos, tornando essencial cultivar o consumo consciente. Aceitas o desafio?!

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7 Comentários
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Rui Bendito
Rui Bendito
2 anos atrás

Ser um consumidor consciente é crucial para gerar riqueza.

Ana Guilherme
Ana Guilherme
2 anos atrás

Aprendi a controlar os impulsos de consumo. Isso mudou tudo!

Carolina Duarte
Carolina Duarte
1 ano atrás

Nunca mais fiquei sem dinheiro antes do fim do mês desde que comecei a aplicar os ensinamentos das sessões.

Emília Santos
Emília Santos
1 ano atrás

Agora consigo distinguir uma necessidade de um desejo. Obrigado!

Sandra P.
Sandra P.
Responder a  Emília Santos
1 ano atrás

Saber distinguir entre necessidade e desejo foi um divisor de águas para mim.

Jorge T.
Jorge T.
1 ano atrás

É difícil cultivar o consumo consciente, mas é possível a todos nós se tivermos a vontade para o fazer.

Leonor Vicente
Leonor Vicente
1 ano atrás

Comecei a ensinar técnicas aos meus filhos de combate ao consumismo. Eles só queriam coisas “da moda”. Muito grata.

Uma simples ajuda na formulação de decisões sobre literacia financeira e educação para o consumo. 🌱💰
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